terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Texto: Inclusão Digital

Patricia Ozanic de Siqueira, 30/10/2009


Introdução

Há registros, na história da humanidade de profundas transformações no modo do homem pensar, agir, relacionar-se com o mundo e com outras pessoas. Houve por volta do século XIX, uma profunda valorização do ser humano, no sentido espiritual. Em contrapartida, no próximo século, com o surgimento da burguesia, o homem passa a valorizar o capital, no sentido de bem material. No final do século XX, com a expansão das tecnologias, em especial o computador, a sociedade passa a conhecer uma nova forma de interagir com o mundo. Atualmente, no século XXI, pode-se dizer que todos os olhares estão voltados para a busca de uma economia tecnológica, no sentido intelectual.
É comum ouvirmos falar em exclusão social, onde o indíviduo não possui nem ao menos o primordial para alcançar a cidadania, como alimentação, emprego, educação, moradia, saúde, lazer. Entretanto, como atualmente vivemos em uma sociedade tecnológica, podemos com isso, falar em uma nova forma de exclusão social, onde o acesso à tecnologia não é estendido de forma igualitária a todos os indivíduos. Daí a necessidade dessa ferramenta que ainda exclui, ser incluída nas escolas, transformando-se assim, em um instrumento que promova a inclusão digital.


A Importância do Uso dos Computadores nas Escolas

Nessa atual sociedade tecnológica em que vivemos, destaca-se e desenvolve-se com extrema rapidez a informática, com especial destaque ao computador. Seu uso na educação, além de necessário, devido fazer parte da vida em sociedade, é um poderoso instrumento no ensino da comunicação, pois através dele o aluno pode buscar seu conhecimento, não importa o tempo ou o espaço.
Como a escola é uma extensão da sociedade, onde nela estão embutidos valores e normas, por que a informática, deveria estar fora da escola? Nesse âmbito, o tema atual da educação tem sido a interatividade, onde a informática, através do computador tem papel fundamental, sendo um poderoso instrumento na busca do conhecimento.
Os softwares educativos, além de auxiliar o trabalho pedagógico do professor, tornando-o mais dinâmico e concreto, também funcionam como forma do aluno buscar a informação, interagindo com o conteúdo a ser estudado. Assim, através do computador, o aluno pode ser o sujeito do processo de aprendizagem e não mais o sujeito passivo, que recebe o conhecimento pronto.


Novos Paradigmas Educacionais

A escola não tem como negar as transformações que a informática está provocando na sociedade e, consequentemente em sua metodologia de ensino. A introdução do uso dos recursos computacionais é uma necessidade diante da realidade educacional atual.
É através também do uso do computador, que espera-se que diminua a desigualdade de conhecimentos, onde educandos de classe baixa terão acesso ao mesmo conhecimento da classe dominante. Através desse novo paradigma educacional, possibilita-se aos alunos a busca de novos conhecimentos, preparando-os para a contextualização no futuro.


A Informática para Crianças

A rápida expansão e crescente acessibilidade dos computadores chegam às salas de
aula, inclusive na educação infantil. Crianças pequenas também devem ter contato com
o computador, pois só aprenderão, desenvolverão habilidades, fazendo interações a partir da máquina. Nesse sentido, a aprendizagem, ou seja, a construção do conhecimento, ocorre a partir interação da criança com o objeto, no caso o computador.
Essa relação entre criança e o objeto, levando a construção do conhecimento, diz respeito a teoria desenvolvida por Jean Piaget¹, a qual denominou Pedagogia Interacionista.
“A análise da relação desenvolvimento/aprendizagem (...) é de natureza epistemológica. Ela está vinculada, em última instância, à relação sujeito/objeto do conhecimento.
(...) As teorias que se definem por uma postura interacionista, nas quais o homem é concebido como um organismo ativo, cujo conhecimento e funções psicológicas vão sendo elaboradas, gradativamente, na sua interação com o meio ambiente”².
Sabe-se que a base da educação sistemática no Brasil, é iniciada desde as séries iniciais de escolarização. A partir dessa concepção, com base na educação informatizada, há uma sedenta necessidade de inserção desta nova tecnologia educacional, também com as crianças pequenas.
Entretanto é de suma importância que o educador tenha realizado cursos de capacitação e acompanhe seus alunos nesse processo de descoberta, não apenas mostrando caminhos, mas também orientando escolhas. Cabe também ao professor, estabelecer diálogos com as crianças, problematizando situações, onde elas precisarão buscar soluções, construindo dessa forma, o conhecimento. Além disso, a interatividade com o computador deve ser um complemento das aulas, onde também fazem parte da aula das crianças atividades como brincar, desenhar, pintar, cantar, mexer com a terra, etc.
Aconselha-se também, que esse contato com a tecnologia digital, aconteça através de jogos interativos, os quais as crianças tem simpatia por conter brincadeiras. Dessa forma ela acha que está brincando, porque está se divertindo, mas também está aprendendo. Através da brincadeira e da interatividade, as crianças adquirem conhecimentos.
Ao mencionar-se “a interatividade da criança com o computador”, não está se focando um ensino individualista, pelo contrário, a criança poderá brincar e resolver situações-problema, tanto em grupo, como sozinha. É importante que o educador utilize em suas práticas de ensino, as duas formas.

Em crianças pequenas a interação com o computador pode desenvolver algumas habilidades:
- elaborar formas de representação;
- estimular as percepções;
- desenvolver a curiosidade;
- adquirir conhecimentos;
- desenvolver atenção, concentração e memória;
- contribuir para que a criança compreenda alguns conceitos como: classificação, ordenação, seriação, quantificação, conservação, reversibilidade, espaço-tempo;
- aprenda a resolver situações-problema, tanto sozinha, como em grupo;
-seja cooperativa e não competitiva.

Faz-se necessário também salientar que, cabe ao professor selecionar os sites que contém bons jogos, assim como, quais habilidades deseja atingir nos alunos com aquela atividade.

Abaixo, alguns endereços que poderão auxiliar nessa construção do conhecimento:



www.meninomaluquinho.com.br
http://www.canalkids.com.br/portal
http://www.clubedoprofessor.com.br/ensino/jogosonline/josgosinfantis.html
http://www.leme.pt/criancas/

http://iguinho.ig.com.br/jogos.html
http://smartkids.com.br/jogos-educativos/





Conclusão

A busca em transformar o ambiente educacional tradiciaonal, em um novo ambiente de ensino-aprendizagem informatizado, conectado com a realidade; onde o aluno busca o conhecimento, não é tarefa fácil. Entretanto, já começam a haver vestígios da união das tecnologias digitais e as práticas educacionais, almejando assim, uma educação interacionista e com equidade de direitos, no sentido da aquisição dos conhecimentos.

1- Jean Piaget (1896-1980), psicólogo e filósofo suíço, conhecido por seu trabalho pioneiro no campo da inteligência infantil. Piaget passou grande parte de sua carreira profissional interagindo com crianças e estudando seu processo de raciocínio. Seus estudos tiveram um grande impacto sobre os campos da Psicologia e Pedagogia.
2- Palangana, Isilda Campaner. Desenvolvimento e Aprendizagem em Piaget e Vygotsky: a relevância do social – 3ª ed. – São Paulo: Summus, 2001 – p. 70


Sitegrafia

http://www.psicopedagogiabrasil.com.br/biografia_jean_piaget.htm

http://www.claudemir.pro.br/ESCOLA/a%20escola%20e%20o%20processo%20formativa%20na%20era%20virtual.doc

http://www.humanasaude.com.br/novo/materias/8/diferenciais-que-ajudam-na-escolha-do-col-gio-das-crian-as_4131.html



Bibliografia

Palangana, Isilda Campaner. Desenvolvimento e Aprendizagem: em Piaget e Vygotsky: a relevância do social – 3ª ed. – São Paulo: Summus, 2001.














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